Educação por uma justiça social e cognitiva: revisitando algumas perspectivas convergentes para uma educação popular em ciências
DOI:
https://doi.org/10.69532/2178-4442.v23.74934Palavras-chave:
Educação Popular, Saberes Científicos, Saberes Populares, Educação Popular em CiênciasResumo
O processo educativo deveria originalmente corresponder ao principal mecanismo de acesso ao mundo do conhecimento e às formas como este se conecta e regula a vida em sociedade. No entanto, tem sido identificado como um dos caminhos para a propagação e manutenção das desigualdades sociais, em decorrência de ideais e práticas reconhecidamente hegemônicas. Reconhecendo a Educação Popular como um importante ponto de partida para modificar este quadro, o presente texto busca despertar concepções mais libertadoras em relação ao que acreditamos se tratar de visões mais ortodoxas sobre que seria, onde seria urgente ou mesmo onde seria mais adequado o desenvolvimento de uma Educação Popular. Para isso, aborda a necessidade de ressignificar a educação sob uma perspectiva de justiça social e cognitiva, com base nos pensamentos de Paulo Freire, Carlos Rodrigues Brandão, Danilo Streck e Boaventura de Sousa Santos. A Educação Popular em Ciências é evidenciada por meio de uma revisão teórica analisada sob uma perspectiva teórico-interpretativa, como uma abordagem capaz de integrar saberes populares e científicos, rompendo com paradigmas eurocêntricos e práticas hegemônicas, enquanto promove a democratização do conhecimento. Fundamentada em práticas dialógicas e interculturais, a Educação Popular em Ciências forma sujeitos autônomos e críticos, preparados para transformar suas realidades sociais sem desvalorizar os saberes populares nem supervalorizarem os conhecimentos científicos. Essa perspectiva visa superar opressões históricas, valorizando a diversidade cultural e construindo uma sociedade mais equitativa, onde ciência, cultura e cidadania coexistam de forma humanizadora.
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