O Princípio da Intersetorialidade e o Atendimento Socioeducativo em Meio Fechado na cidade de Salvador: uma reflexão oportuna

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69532/2178-4442.v23.74870

Palavras-chave:

adolescentes, medida socioeducativa, políticas públicas, intersetorialidade

Resumo

A intersetorialidade ainda não é um princípio integralmente cumprido no atendimento socioeducativo, em que pese a sua imprescindibilidade na execução das políticas públicas. As parcerias com os atores que compõem o Sistema de Garantia de Direitos ainda encontram desafios para serem estabelecidas de forma efetiva, contribuindo para que o egresso do Sistema Socioeducativo seja vulnerabilizado, suscitando riscos de reincidência. O presente estudo se propõe a refletir sobre a importância da articulação das políticas públicas de forma intersetorializada e interdisciplinar na execução do atendimento ao adolescente em privação de liberdade na cidade de Salvador, assim como identificar os desafios e as potencialidades na implementação dessas políticas, no âmbito do atendimento socioeducativo em meio fechado. Trata-se de um estudo exploratório, de abordagem qualitativa, delineado pela pesquisa bibliográfica e documental, tomando a apreciação de dados empíricos, extraídos dos Relatórios Mensais de Atendimento Socioeducativo, considerando as diversas dimensões que atravessam o atendimento desses adolescentes. Observou-se que há um esforço contínuo para promoção da articulação com as diversas políticas setoriais, provendo-os dos meios de acesso à educação, à saúde, à cultura, ao esporte e à assistência social. Contudo, apesar do esforço empreendido, constatou-se que há grandes dificuldades de acesso a estágios e atividades profissionais, cooperando para o isolamento e a exclusão social, o que poderia favorecer possíveis reincidências, diante das dificuldades para a empregabilidade, limitando o acesso aos bens de consumo e contribuindo para a perpetuação de desigualdades.

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Biografia do Autor

Cinara Agda Lisboa de Souza, Fundação da Criança e do Adolescente

Especialista em Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB). Especialista em Operacionalização do Atendimento Socioeducativo pela Faculdade de Ciências da Bahia e Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República - FACIBA/SEDH/PR. Graduada em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Ocupa o cargo de Analista Técnico e é instrutora no Núcleo de Formação em Socioeducação da Fundação da Criança e do Adolescente - Fundac, instituição vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia.

Sidelmar Alves da Silva Kunz, Universidade Estadual de Goiás

Professor da UEG e Pesquisador do Inep. Doutor em Educação (UnB) e Mestre em Geografia (UnB). Possui especializações em Filosofia e Educação, além de ser Geógrafo (UEG) e Pedagogo (UEG). É membro atuante dos grupos de pesquisa Nepie (UFCAT) e GEPAT (UnB) e orientador de pesquisas na pós-graduação.

Cristiano Rodineli Almeida, Universidade Federal de São Paulo

Doutorando e mestre pelo Programa de Pós-graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, pela Universidade Federal de São Paulo.  Psicólogo clínico e na Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente de São Paulo (Fundação CASA). Docente Universitário. Editor da Pathos: revista brasileira de Práticas Públicas e Psicopatologia. Membro do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Estudos de Linguagem (GIEL/CNPq).

Referências

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Publicado

13-12-2025

Como Citar

SOUZA, Cinara Agda Lisboa de; KUNZ, Sidelmar Alves da Silva; ALMEIDA, Cristiano Rodineli. O Princípio da Intersetorialidade e o Atendimento Socioeducativo em Meio Fechado na cidade de Salvador: uma reflexão oportuna. Poíesis Pedagógica, Catalão, v. 23, p. e2025013, 2025. DOI: 10.69532/2178-4442.v23.74870. Disponível em: https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/poiesis/article/view/74870. Acesso em: 26 jan. 2026.

Edição

Seção

Dossiê — Direito à Educação: movimentos de (re)existência

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