“Our bodies are home to both tormentors and victims”: an interview and theoretical-critical-sentimental craft with Helena Vieira

Authors

Abstract

For us, speaking of ancestry is not merely invoking a distant time. It is recognizing the present as a territory where a legacy pulsates—political, affective, spiritual—that transcends borders, names, and geographies. We inherit voices that came before us, but we are also the living flesh of their continuity—a presence that persists and a memory that creates storytelling. It is in this spirit that this interview is inscribed—as part of what we call theoretical-critical-sentimental craftsmanship, woven here in dialogue with Helena Vieira. Recognized for her presence in multiple spaces of creation, research, and mobilization, Helena embodies what we call here a living trans-ancestry—a lineage that becomes body, thought, and gesture, connecting histories, personal experiences, and the continuous invention of knowledge. Helena's word does not merely narrate: it founds, summons, and creates storytelling. What is transmitted in this encounter is not a static past, but a force in motion—that reverberates in the present and ignites critical, trans-feminist, and decolonial reflections. The conversation that follows invites us to listen to a transancestral experience in motion, which, by weaving together diverse temporalities, opens paths to the recognition of plural histories—and to the courageous invention of possible futures. By presenting this conversation in the format of a handcrafted theoretical-critical-sentimental interview, we seek to embrace both the conceptual density and the delicacy of the affections that permeate the encounters, the silences, the pauses, the gestures, and the perspectives on the world. It is with this lively listening, between rigor and affection, that we give the floor to Helena.

Author Biographies

Dandara Camélia da Silva Domingues, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Doutoranda em Psicologia Clínica pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestra em Ciências do Envelhecimento e graduada em Psicologia pela Universidade São Judas Tadeu (PGCE/USJT). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pesquisadora do LESSEX (Laboratório de Estudos de Saúde e Sexualidade) da PUC/SP

Helena Vieira, Pesquisadora independente sem vínculo institucional

Pesquisadora, transfeminista, escritora e dramaturga. Estudou Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP).

Rafael Rodrigues Leite, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutorando e mestre em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bacharel em Ciências Sociais pela mesma instituição.

References

AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019. (Coleção Feminismos Plurais).

ANZALDÚA, Gloria. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. San Francisco: Aunt Lute Books, 1987.

BARBOSA, Angie. “Transcestralidades: trauma, violência e futuro fora do parentesco”. [Online]. Ruído Manifesto. 27/04/2022. Disponível em https://ruidomanifesto.org/transcestralidades-trauma-violencia-e-futuro-fora-do-parentesco-por-angie-barbosa. Acesso em 01/04/2025.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CARVALHO, Renata; IAZZETTI, Brume Dezembro; MASCARENHAS, Ruby. “‘Precisamos trapacear a língua’: entrevista com Renata Carvalho”. Revista Anômalas, Catalão-GO, v. 4, n. 1, p. 180-199, jan/jun. 2024. Disponível em: https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/ra/article/view/74844. Acesso em 02/04/2025.

CAVALCANTE, Jannice Moraes de Oliveira; LIMA, Maria Ana da Silva Morais; SILVA, Pabla Alexandre Pinheiro da. “Retórica sentimental e Nauasakiri: diálogos entre memórias, oralidade e discurso”. Revista Norteamentos, Sinop-MT, v. 16, n. 42, p. 116-132, jan/jun. 2023. Disponível em https://doi.org/10.30681/rln.v16i42.10749. Acesso em 05/04/2025.

CHUNGARA, Domitila Barrios de; WIESER, Moema. Se me deixam falar: testemunho de Domitila Barrios de Chungara, uma mulher da Bolívia – 25 anos depois. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1979.

COLLINS, Patricia Hill. Interseccionalidade como crítica social. Trad. Tarsila Oliveira. Salvador: EDUFBA, 2020.

FAVERO, Sofia. “Cisgeneridades precárias: raça, gênero e sexualidade na contramão da política do relato”. Bagoas: Estudos Gays: Gêneros e Sexualidades, Natal-RN, v. 13, n. 20, p. 169-197, jun. 2020. Disponível em https://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/view/18675. Acesso em 25/03/2025.

GREEN, James N.; QUINALHA, Renan (org.). História do movimento LGBT no Brasil. São Paulo: Alameda, 2018.

GRIMM, Raíssa Éris. “A violência cisgênera e suas hierarquias”. [Online]. Centro de Pesquisa Transfeminista. 24/06/2016. Disponível em https://transfeminismo.org/a-violencia-cisgenera-e-suas-hierarquias/. Acesso em 01/04/2025.

HARTMAN, Saidiya; SOUSA, Fernanda Silva e. “‘Eu não sou uma nota de rodapé para o pensamento de grandes homens brancos’: uma entrevista com Saidiya Hartman”. Revista ODEERE, Vitória da Conquista-BA, v. 8, n. 1, p. 1-23, jan/abr. 2023. Disponível em https://periodicos2.uesb.br/index.php/odeere/article/view/12538/7469. Acesso em: 01/04/2025.

HARTMAN, Saidiya. “The position of unthought”. Qui Parle, Durham, v. 13, n. 2, p. 183–201, mai. 2003. Disponível em: https://mumbletheory.com/wp-content/uploads/2019/04/the-position-of-the-unthought.pdf. Acesso em: 20/03/2025.

JESUS, Jaqueline Gomes. “O conceito de Heterocentrismo: um conjunto de crenças enviesadas e sua permanência”. Psico-USF, Bragança Paulista-SP, v. 18, n. 3, p. 363-372, set/dez. 2013. Disponível em https://doi.org/10.1590/S1413-82712013000300003. Acesso em: 05/04/2025.

KOYAMA, Emi. “The transfeminist manifesto”. In: DICKER, Rory; PESCHEL, Alison (org.). Catching a wave: reclaiming feminism for the 21st century. Boston: Northeastern University Press, p. 244–259, 2003.

LUGONES, Maria. “Colonialidad y género”. Tabula Rasa, Bogotá, n. 9, p. 73–102, jul/dez. 2008. Disponível em http://www.scielo.org.co/scielo.php?pid=S1794-24892008000200006&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 02/04/2025.

_________. “Hacia un feminismo decolonial”. In: GLEFAS (org.). La crítica de la colonialidad en ocho ensayos. Buenos Aires: GLEFAS, p. 13–54, 2010.

_________. “Rumo a um feminismo decolonial”. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis-SC, v. 22, n. 3, p. 935-952, set/dez. 2014. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755. Acesso em: 27/03/2025.

MENESES, Emerson Silva. “Tentam nos vestir de noiva: sete queertografias paulistanas”. Ponto Urbe, São Paulo-SP, v. 32, n. 1, p. 01-19, jul. 2024. Disponível em https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2024.226830. Acesso em 20/03/2025.

MOMBAÇA, Jota. Não vão nos matar agora. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

NASCIMENTO, Silvana de Souza. “Epistemologias transfeministas negras: perspectivas e desafios para mulheridades múltiplas”. Estudos Históricos, Rio de Janeiro-RJ, v. 35, n. 77, p. 548–573, set./dez. 2022. Disponível em https://doi.org/10.1590/S2178-149420220311. Acesso em 01/04/2025.

NUNES, Larissa Ferreira; BARROS, João Paulo Pereira; GOMES, Carla Jéssica de Araújo; MIRANDA, Luciana Lobo; SOARES, Mayara Ruth Nishiyama; LAVOR FILHO, Tadeu Lucas. “Decolonialidade e gênero: modos de fazer e pensar a Psicologia”. Revista Interdisciplinar Encontro das Ciências – RIEC, Icó-CE, v. 7, n. 2, p. 330–360, jun. 2024. Disponível em https://riec.univs.edu.br/index.php/riec/article/view/365. Acesso em: 01/04/2025.

QUIJANO, Aníbal. “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, p. 107-126, 2005. Disponível em https://ufrb.edu.br/educacaodocampocfp/images/Edgardo-Lander-org-A-Colonialidade-do-Saber-eurocentrismo-e-ciC3AAncias-sociais-perspectivas-latinoamericanas-LIVRO.pdf. Acesso em 06/04/2025.

_________. “Colonialidade do poder e classificação social”. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, p. 73-118, 2007.

QUINALHA, Renan; GREEN, James N. (org.). Ditadura e homossexualidades: repressão, resistência e a busca da verdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

ROLNIK, Suely. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: n-1 edições, 2019.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes”. Revista Crítica de Ciências Sociais, São Paulo-SP, n. 79, p. 3-46, nov. 2007. Disponível em https://doi.org/10.1590/S0101-33002007000300004. Acesso em: 01/04/2025.

SANTOS, Vívian Matias. “Notas desobedientes: decolonialidade e a contribuição para a crítica feminista à ciência”. Psicologia & Sociedade, Recife-PE, v. 30, p.1-11, 2018. Disponível em https://doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30200112. Acesso em 01/04/2025.

SIMAKAWA, Viviane Vergueiro. Por inflexões decoloniais de corpos e identidades de gênero inconformes: uma análise autoetnográfica da cisgeneridade como normatividade. 2015. Dissertação (Mestrado em Cultura e Sociedade) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil. Disponível em http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/19685. Acesso em 01/04/2025.

SOUZA, Nayara; SANTOS, Márcia Guena dos. “Por uma episteme visual negra: proposta metodológica a partir da ‘fabulação crítica’ e das ‘imagens de controle’ para análise das imagens”. ComSertões, Juazeiro-BA, v. 15, n. 1, p. 01-16, nov. 2024. Disponível em https://doi.org/10.36943/comsertoes.v15i01.20050. Acesso em 01/04/2025.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. “Can the subaltern speak?” In: NELSON, Cary; GROSSBERG, Lawrence (ed.). Marxism and the interpretation of culture. Urbana: University of Illinois Press, p. 271–313, 1988.

VIEIRA, Helena; BAGAGLI, Beatriz Pagliarini. “Transfeminismo”. In: HOLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Explosão Feminista: Arte, Cultura, Política e Universidade. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, p. 343-378, 2018. Disponível em https://campodiscursivo.paginas.ufsc.br/files/2020/04/Explos%C3%A3o-Feminista-H.-Buarque-de-Hollanda.pdf. Acesso em 06/04/2025.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus logico-philosophicus. Tradução de Luiz Henrique Lopes dos Santos. São Paulo: Edusp, 2009.

Published

2025-12-19