Mulheres Contra o Grupo de Extermínio Mão Branca em Campina Grande (1980): Celma e Dra. Terezinha Braga.

Autores

  • Helmano Ramos PUC

Resumo

O objetivo é contarmos a história da atuação do grupo de extermínio Mão Branca, no ano de 1980, na cidade de Campina Grande-PB, através da denúncia de duas mulheres: Uma delas, Celma, era uma popular, feirante, e viu o momento em que o seu sobrinho, Carlos Alberto, foi executado pelos Mão Branca, e com ela, reuniu outra testemunha Mariza Nadja de Sousa. Com histórias semelhantes à de moradores dos bairros da zona leste da cidade, Eriomar Simão de Lucena, Perré, dizia ter visto a condução de Renato Arara para a Brasília amarela, utilizada pelo grupo. Através da análise do processo do único condenado e de matérias do jornal Diário da Borborema, as histórias ressaltam que os policiais iniciaram a sua atuação com extorsão e tortura, até a expulsão de Jorge Sousa Costa, Temporal, e o seu retorno à polícia por influência de Ciço Tomé, policial civil, delegado-chefe na central de polícia da cidade, que o colocou como subordinado a Zezé Basílio, e que com o apoio do delator, Zé Cacau, coletava informações de bandidos que passaram a ser presos, espancados e com a justificativa de transferi-los de prisão, eram retirados da casa de detenção, assassinados e seus corpos vendidos em matérias jornalísticas. A quem, a advogada Tereza Braga, juntamente com sua irmã Letice Braga, perpetrou a denúncia, bem como conseguiu reunir a elite intelectual, religiosa e política campinense. A denúncia contra: Zezé Basílio, Ciço Tomé, Temporal, Zé Cacau e Francisco de Sousa, Trovão, acabou na condenação apenas de Zezé Basílio, como Mão Branca, e na absolvição dos demais pelos crimes de homicídio, sendo Zé Cacau, Temporal e Trovão julgados em 1987 por extorsão e tortura e Ciço Tomé que absolvido de todas as acusações, continuou com chefe na central de polícia.

Referências

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Publicado

26-03-2025