Para uma Saúde Global Crítica e Ancestral: Ilera, como faziam as nossas mães e avós
Palavras-chave:
Mulheres Negras, Saúde Global, Saúde Afro-ameríndia, AncestralidadeResumo
Desde suas origens modernas, a saúde esteve intimamente ligada a processos de controle e gestão de corpos, frequentemente alicerçada em projetos e políticas que perpetuaram condições do patriarcado e de escravização, colonização, exclusão. Esses processos ajudaram a moldar uma realidade que cristaliza exclusões e impõe riscos que transcendem o biológico, especialmente para mulheres negras.
Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre a Saúde Global ao explorar a interseção entre práticas tradicionais de cuidado e a necessidade de modelos de saúde verdadeiramente inclusivos. Destacando a iniciativa da Ilera, uma Casa de Saúde Afro-Ameríndia localizada em Guaianases, São Paulo, o artigo enfatiza a importância dos saberes ancestrais na formação das práticas de saúde e destaca o papel das mulheres negras na transmissão dessas tradições. Ao analisar como a Ilera opera em um contexto periférico, o trabalho defende uma abordagem de saúde global que reconheça e integre práticas locais e ancestrais como essenciais para políticas públicas de cuidado coletivo.
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