FOLIÕES E “FOLIÕAS”: MEMÓRIA E IDENTIDADE NAS PERFORMANCES DE GÊNERO DAS FOLIAS DE SANTA DICA
Palavras-chave:
Folia, gênero, Lagolândia, Santa DicaResumo
O presente artigo tem por proposta ressaltar algumas características de duas festividades distintas, a Folia de Reis e a Folia de São João, realizadas anualmente em Lagolândia (distrito de Pirenópolis), em Goiás. A Folia de Reis caracteriza-se por ser um evento predominantemente masculino, onde os participantes percorrem longas distâncias na zona rural, em uma peregrinação com ritos próprios. A Folia de São João tem por característica ser realizada por um grupo de mulheres (“foliõas” ou “donzelas”, como são conhecidas localmente), que percorre as casas da zona urbana do distrito, em um ritual que se assemelha à Folia de Reis. Essas manifestações, bem como outras festas da região, surgem a partir da iniciativa de uma líder religiosa e política da primeira metade do séc. XX, Benedita Cipriano Gomes, conhecida como Santa Dica. Para este artigo, partimos da ideia de que existem ritos religiosos, encenados nos dois festejos, com regras e características diferenciadas entre os gêneros, que caracterizam cada um como ‘masculino’ ou ‘feminino’. Nossa proposta tem por objetivo demonstrar algumas das diferenças entre as duas folias, com a hipótese de que as festas religiosas ajudam a compreender a identidade, os vínculos e a organização social de uma comunidade e, nos casos específicos, por motivações ligadas à memória e à identidade do lugar, que ultrapassam o viés religioso e devocional.

