ESCRITAS (IN)SUBMISSA(S) DA(S) HISTÓRIA(S): TRAVESSIAS EPISTÊMICAS A PARTIR DAS NARRATIVAS DE MULHERES ÀS MARGENS
Resumo
As insurgências das/dos sujeitas/os às margens provocam movimentos contínuos e não lineares de questionamentos da matriz ocidental, branca, cisheteropatriarcal, eurocentrada, o que evidencia a necessidade da incorporação de epistemes, saberes, fazeres e conhecimentos até então denegados pela ciência moderna e pela produção acadêmica hegemônica nas universidades. Tais movimentos têm gerado um “transbordamento” acadêmico e político em direção a uma nova percepção da condição criativa que impulsiona os entrecruzamentos entre esses diversos campos do saber e das experiências marginalizadas. Em vista dessa implosão dos cânones, a proposta do presente artigo incide em uma reflexão sobre os deslocamentos teóricos, epistemológicos e metodológicos na escrita da história, a partir da pesquisa com mulheres sem terra em Goiás. Proponho, dessa maneira, realizar uma breve incursão na matriz histórica hegemônica no sentido de identificar algumas das iniciativas de incorporação dos e das sujeitos e sujeitas às margens, especificamente evidenciando a passagem de uma história das mulheres e das relações de gênero para uma perspectiva feminista, decolonial e interseccional. Ainda nesse ensejo, busco evidenciar como as intersecções de raça, classe, gênero, geração, desterramento, entre outros marcadores, que atravessam os corpos dessas mulheres às margens, provocam leituras e escritas insubmissas mediante esse cânone historiográfico e a produção acadêmico/científica ainda pautada na racionalidade ocidental.

