HISTÓRIA DE MOÇAS MUITO “FOGOSAS” E “SABIDAS”: SEXUALIDADE DE MOÇAS POBRES NO INTERIOR DA BAHIA (FEIRA DE SANTANA, 1940-1960)
Palavras-chave:
sexualidade, segmentos populares, infância e juventude, relações de poderResumo
Este artigo buscará, de maneira parcial e provisória, descrever e explicar o universo inusitado e dinâmico das práticas sexuais e afetivas de jovens, homens e mulheres, pertencentes aos segmentos populares de Feira de Santana, uma cidade do interior baiano, entre os anos de 1940 e 1960. Para tanto, pautaremos nossas reflexões a partir da análise de alguns processos-crime da tipologia sedução, levando a cabo o estudo de certos casos, porém sem perdermos de vista a contínua conexão existente entre as macro e microescalas, ou seja, sem ignorar o chamado todo social. Além disso, operamos a partir das intersecções entre classe, raça, idade/geração, espaço e gênero para melhor compreendermos estratégias de respeitabilidade que foram acionadas principalmente pelas moças pobres, muitas das quais negras, para positivarem a si mesmas nos autos dos processos de sedução. Além disso, verificamos que as fases da vida como infância, juventude e adultez não são unívocas e, por isso, foram ressignificadas de maneiras diferentes ao longo da pesquisa e, embora a referência biológica fosse uma regra, as questões culturais demarcaram seus limites. Daí se segue o fato de que o que poderíamos hoje chamar de adolescente ou até mesmo criança ter sido visto como adulta no período estudado por supostamente manterem relações sexuais.

