A VIOLÊNCIA DO MERCADO E SUA EUFEMIZAÇÃO
SEMÂNTICA DO CONSENTIMENTO
Mots-clés :
violência, eufemização, desprotagonização, consensualizaçãoRésumé
Além e aquém da violência física e visível, a ordem do mercado secreta uma violência econômica, aparentemente menos brutal e visível, mas não por isso menos infalível em termos de destruição e autodestruição. Defendendo a tese de que o silenciamento desta violência está fundamentalmente organizado por um processo de eufemização discursiva dos conflitos gerados pela racionalização econômica do mundo em andamento, desde o Estado até os territórios mais íntimos da subjetividade, se descreve e interpreta o paradigma das formas e manipulações semânticas pelas quais uma política designativa eufemizante, em nome dos tópicos da flexibilidade e da livre-escolha, não apenas atenua e anonimiza a carga de violência das engrenagens do mercado, mas também e sobretudo regula e emblematiza um novo curso subjetivo: a produção de um mercasujeito que consinta indissociavelmente a sua vulnerabilidade e à exigência de maximizar ao infinito todo seu potencial sem contudo (poder) emancipar-se dela.






