Comunidades Ribeirinhas Amazônicas e a Expansão do Agronegócio
ancestralidades e atualidade da condição camponesa nos vales do Madeira e Purus
DOI:
https://doi.org/10.61470/o.v22i2.74792Resumo
Os dois últimos verões amazônicos (2023 e 2024) impressionam o mundo devido a seca severa que atinge a porção ocidental da Amazônia brasileira. O baixíssimo volume de água dos rios criou uma paisagem desoladora e aterrorizante, transformando o cotidiano de comunidades ribeirinhas e de toda a sociedade regional. Este trabalho busca provocar a reflexão acerca da realidade de comunidades ribeirinhas estabelecidas nos vales dos rios Madeira e Purus, no Sul do estado do Amazonas. Por meio de uma abordagem relacional, com dados produzidos a partir de levantamento documental, entrevistas abertas e observação direta realizadas entre janeiro de 2023 e agosto de 2024, em seis comunidades (três em cada vale), a pesquisa lança luz sobre as rupturas e continuidades do processo histórico de (re)existência de um campesinato ribeirinho nesta região, pressionado pelo avanço do agronegócio e dos recentes eventos climáticos. Os dados revelam que os sistemas simbólico-práticos que orientam estas comunidades são também portadores de elementos para imaginar um futuro possível para a Amazônia.