STANIS?AW LEM: FICÇÃO NA ENCRUZILHADA DA CIÊNCIA COM A METAFÍSICA
DOI:
https://doi.org/10.5216/lep.v20i1.44850Resumo
Este artigo discute, no âmbito da metafísica, o “eu poroso” e o “eu armado”, partindo uma radiografia das intuições religiosas e ateístas do século XX. A formulação teórica tem como base as conclusões do filósofo canadense Charles Taylor, na sua obra A Secular Age, que faz uma antinomia entre duas formulações do eu: o “eu poroso” (ou: self poroso) e o “eu armado” (ou: self protegido). O primeiro caso refere-se a um eu que se fez presente em eras passadas e que se deixava penetrar por crenças, superstições, anjos e demônios. O segundo é a forma contemporânea do eu armado e protegido com as conquistas da razão no campo da ciência e avanços da tecnologia. Ao contrário do eu poroso o eu armado tem sua autonomia garantida em face de elementos transcendentais e metafísicos. O corpus para a aplicação da teoria exposta é o escritor, filósofo e futurólogo polonês Stanis?aw Lem (1921, Lvov – 2006, Cracóvia), considerado um dos clássicos da ficção científica do século XX. Em sua obra ficcional, sobretudo, em Fantástico e futurologia a interface entre a ciência e a metafísica possibilita demonstrar a proposta de Charles Taylor. Aliás, o propósito deste ensaio é justamente apresentar essa interface, de modo a empregar a ficção como ação privilegiada para se colocar em questão os julgamentos acerca da ausência do “eu poroso”, ou do seu caráter anacrônico, no mundo “desencantado” de hoje.
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