CÉU E INFERNO NA REPRESENTAÇÃO DA CIDADE EM OS MISERÁVEIS, ROMANCE DE VICTOR HUGO: DITE, SODOMA, BABILÔNIA DOI: 10.5216/lep.v13i1.11923
Resumo
Trata-se de demonstrar a degradação do espaço urbano presente no romance Os miseráveis de Victor Hugo, atendo-se especificamente à cidade de Paris. Parte-se de considerações históricas acerca da cidade para depois adentrar as idéias específicas do espaço infernal, ligando-o ao da capital francesa representada no romance hugoano. Primeiramente, demonstrase como o espaço angustiante vai se instaurando no universo da história narrada. Em seguida, passa-se à análise dos micro-espaços parisienses, caracterizando-os como locais de perdição. São eles: a taverna Corinto, o bairro Saint Antoine, o pardieiro Gorbeau e os esgotos da cidade. Destacase para cada um destes espaços, seus predicados infernais. A opressão, o bafo fétido, a sujeira e a umidade para o caso dos arredores da taverna; a metáfora do barril de pólvora em relação ao bairro Saint Antoine; a atmosfera de perdição moral do quarto dos Jondrette, no que tange ao pardieiro e, finalmente, o desmascaramento das hipocrisias sociais em meio à labiríntica rede do esgoto parisiense. Por último, procura-se demonstrar que o espaço parisiense remete diretamente ao da cidade prostituta: Babilônia. Procuratamse evidenciar o teratologização do espaço citadino, caracterizando-o como espaço devorador. Para o autor do romance, a demonização deste espaço constituiu o preço pago pelo progresso alcançado por Paris e pela ousadia de ter sido considerada, cultural e esteticamente, a cidade capital do século XIX. O romance de Victor Hugo apreende aspectos desse contexto urbano e o imortaliza via literatura.
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