COSMISMO E TEMPORALIDADE EM MIKHAIL BAKHTIN CONJECTURAS E PROJEÇÕES SOBRE O FIM DOS TEMPOS
DOI:
https://doi.org/10.61470/cadis.v1i2.75514Palavras-chave:
Cosmismo, Mikhail Bakhtin, Relatos apocalípticos, Medo, TemporalidadeResumo
A explosão de relatos apocalípticos durante a pandemia de Covid-19 desperta interrogantes sobre a ideia de crepúsculo da temporalidade que hospeda nossa cultura. Propomos aproximarmo-nos a essa questão a partir da concepção de cosmismo que desenvolveu Mikhail Bakhtin, constatável em sua ideia de temor cósmico: intensos medos da espécie humana diante da natureza e da vastidão do cosmos, que habitam nas profundidades da memória coletiva e que os sistemas culturais revitalizam em imagens, relatos e profecias capazes de transformar-se em políticas de controle social. Cada época engendra seus próprios modos de pensar o crepúsculo do tempo humano e planetário, a nossa parece oscilar entre fatalismo e a comicidade, insólita combinação que definimos como cosmismo grotesco. Nesses relatos recentes que trabalham a extinção massiva com a linguagem da sátira menipeia, os temores cósmicos colaborarão para explorar a fragilidade dos contratos sociais, ao tempo que consolidam uma subjetividade capitalista que exalta a irracionalidade, o negacionismo e a indiferença.






